quarta-feira, 10 de janeiro de 2024

Para além do Novo Ano

 

Para além do Novo Ano

Em uma rua qualquer, de uma cidade brasileira, onde há casas grandes, outras nem tão grandes assim e algumas bem pequenas, o burburinho ecoa de todas elas com músicas de estilo variados, conversas e crianças brincando na calçada põem a roda da vida a girar. Todos estão aguardando a chegada do ano 2024. Em meio a isso tudo, na frente de uma das casas, as crianças se juntaram para mostrar as suas habilidades com skate e bicicletas. Bem penteadas, com roupas festiva e, a maioria, de chinelinhos de dedo, indicava estarem bem à vontade. Em um certo momento, começaram a conversar sobre o que aconteceria em poucos minutos e diziam:  - Na minha casa, vai ter bolo, na minha terá pastel, meus pais vão estourar champanhe e por aí  conduziam o papo. Um dos meninos ficou calado; detive meu olhar nele; parecia ser o mais humilde da turma. Magricela, com os olhos vivos, disse que veio passar o Ano-Novo com os primos; trazia ele, no pescoço, um cordão com um crucifixo, semelhante ao que eu tenho na minha casa, a única diferença eram as cores das pedrinhas em volta da cruz; as dele era azuis e as minhas, vermelhas. Os outros meninos também quiseram olhar o crucifixo com as pedrinhas. - Você tem uma joia preciosa, disse-lhe; parabéns! O olhar do menino se transformou, ele riu, me olhou, parecendo agradecer e se sentindo especial; para mim ele também se fez especial, pois me escutou, parou para me dar atenção. A escuta hoje tem um valor precioso, poucos sentem aquilo que nós sentimos, é a tal da empatia, que muito se fala e pouco se vive. Estabelecemos ali, eu e aquele menino, um diálogo de amizade, de afeto, onde o ponto de intercessão era o crucifixo. Lembrei-me de uma passagem do livro Olhai os Lírios do Campo, quando de Eugênio e Olívia na praça da cidade à noite conversam; ele, estudante de medicina, diz que terá o mais alto prédio da cidade e será o homem mais rico do lugar e ela lhe diz: - Olhe as casas grandes, veja também as casinhas pequenas...As estrelas brilham igualmente para todas elas. Tudo isso me remeteu a um texto trabalhado com os alunos sobre a ação de validar o ser humano no trabalho, na profissão. Reflito, agora para além da sala de aula e então me vem, novamente, o olhar do menino na noite do ano novo e o diálogo que tivemos. Validei a presença dele ao dizer que tinha algo precioso com ele...Sim, vi no Cristo que o enfeitava um valor imenso para mim também, pois enxerguei no olhar do menino o olhar da humildade, da proteção e da validação da promessa de felicidade que renasce a partir da chegada no ano de 2024 em todos os lares. Que neste ano o nosso olhar seja para o lado mais bonito das pessoas, da presença e não da falta, sejamos menos críticos às imperfeições alheias, oferecendo o melhor sentimento que temos.

“A simplicidade procura Deus, a pureza o abraça e frui.”

 

1 comentário:

  1. Linda! Doce como devem ser nossas reflexões! Às vezes doída, mas sempre significativa! Obrigada por nos manter lendo.

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