segunda-feira, 30 de outubro de 2023

crônica 1

 Você marcha, José?

José, para onde?

 

Saio pouco. Escrever. Falta-me o motivo, o cotidiano...Então vamos à rua, ainda que de carro, em busca da crônica perdida ???

A cidade ainda não é a minha melhor amiga, nem inimiga, talvez um porto de passagem...

Resolvo que observarei as pessoas, melhor, o que elas carregam consigo.

Opa! Lá vai uma senhora que eu reconheço de algum lugar! Não sei o nome dela. O que ela abraça? Ah! É uma capelinha de madeira da Nossa Senhora...Seria essa uma tábua de salvação? Ou conduz ela a fé ao outro ?

Um homem luta contra o vento com um papel escrito cartório...Olho para a feição dele... Será que comprou uma casa, saldou uma dívida? Casou-se? Nenhuma expressão, nenhuma pista ...Leva com ele a preocupação, a tensão ...

Muitas são as pessoas com sacolas.

Prossigamos. Sim, as sacolas de mercado são a maioria entre as pessoas. Carregam frutas, pães, água...Ou seria a gula, a fome, desejo de diminuir o estresse comum doce e a tentativa de , com a água, afogar as mágoas???

A passos largos, a mulher sai da farmácia com uma sacola. Leva ela remédios, ou algo como cura e alívio para o corpo e para alma?

Incontestável a certeza do que todos carregam...Ce lu lar!!! Ao pé do ouvido, falam sozinhos rua a fora, sorriem, fazem cara de espanto, discutem, escutam o som preferido e deligam o mundo sem incomodar e se incomodar com ninguém.

Retorno para casa e, ao passar pelas esquinas, com o vidro aberto do carro, bebo o vento frio aos goles. Sem sacola, trouxe comigo ainda mais interrogações sobre o que nos move pelas ruas.... A busca? A falta? O sentimento bom? A energia dos que caminham? O excesso? E nesse momento, ouço Drummond  sussurrar ...

- Você marcha, José! José, para onde?

O portão da garagem abre, mas na minha frente passa um homem que leva um bebê em um carrinho...

Penso que a palavra final, diante dessa cena, seja ES-PE-RAN-ÇA.

domingo, 29 de outubro de 2023

Trago a você os momentos em que transcendo o muro concreto do estar no mundo,  para, pretensamente chegar a alma das coisas e dos seres.

Espero que  encontre em meus textos, pedacinhos do meu e do teu Eu.

Boa Leitura!

Para além do Novo Ano

  Para além do Novo Ano Em uma rua qualquer, de uma cidade brasileira, onde há casas grandes, outras nem tão grandes assim e algumas bem p...